No final de abril de 2014, o Brasil assumiu uma liderança quase inesperada. No dia 23, a Presidenta Dilma sancionou a lei do Marco Civil, fazendo com que o país entrasse para a vanguarda das leis de liberdade e neutralidade da rede. Segundo o professor Sérgio Amadeu, esta lei coloca o Brasil como um líder em relação à liberdade na internet e ainda destaca o artigo 15, afirmando que entrou para o projeto para "agradar" aos parlamentares conservadores. Em palestra no evento "Arena NET Mundial", que contou com o apoio de Julian Assange, talvez o maior representante da liberdade aos usuários da internet, Sérgio disse:
"Aprovamos a lei mais avançada do mundo. Ajudamos a escrevê-la e aprová-la. Mas sabemos que para que fosse aprovada tivemos que fazer concessões. Uma delas é o artigo 15, que ordena que todos os provedores guardem o acesso a logs de acesso dos cidadãos. Estes dados são vendidos, são processados e manipulados e têm um enorme valor econômico. Ao obrigar que todos guardem dados, estamos aumentando o mercado de tratamento de dados pessoais. A espionagem não é feita diretamente só com as pessoas, mas também através das corporações que nós "PRAZEIROSAMENTE" utilizamos. São corporações que entregam estes dados para finalidades de manutenção de um poder global baseado na violência. Nós temos que fazer de tudo para colocar a privacidade acima dos ganhos econômicos das corporações, elas só podem guardar nossos dados com a nossa autorização, não podem usar para finalidades econômicas, finalidades políticas."
A neutralidade e liberdade na internet é uma discussão antiga, ocorre desde o início dos anos 1990, com os primórdios do movimento chamado "Ciberpunk", sendo este um hacker, ativista, que preza pela liberdade de informações dos poderosos (governantes e empresários) e privacidade aos "fracos" (usuários comuns). Tendo em destaque os casos como do WikiLeaks, de Julian Assange, Chelsea Manning (militar americano e transsexual assumido, que ajudou Assange liberando informações da inteligencia norte-americana) e de Edward Snowden, que liberou arquivos secretos da NSA, a agência de inteligência norte americana.
Somente com uma internet inteiramente livre e com privacidade aos seus usuários é possível obter uma real democracia, onde todos podem se manifestar e ter sua identidade preservada, sem medo de represálias por parte de governos e grandes empresários. Pessoas como Sérgio Amadeu, Julian Assange, Jéremmie Zimmerman, e tantos outros, lutam diariamente para que os usuários comuns, possam ter liberdade e, principalmente, todos os direitos garantidos dentro da rede. É importante, também, que o usuário esteja sempre atento para que possa cobrar dos representantes todos os direitos que lhe cabe em relação à garantia de liberdade individual diante da lei.
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